Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Eremita

Pela simples razão de escrever

O Eremita

Pela simples razão de escrever

02
Mai21

À minha mãe

O Eremita

mae012.jpg

Quando me faltam as palavras para descrever a Saudade e aquele infinito Amor pela minha Mãe, recorro às palavras escritas que mais se assemelham ao turbilhão de sentimentos que me assolam.

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Poema da autoria de Miguel Torga

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

Em destaque no SAPO Blogs
pub